A ocupação da USP – que foi desencadeada pelos ataques de José Serra à autonomia universitária – inflamou os ânimos do movimento estudantil a nível nacional e serviu de ponto de partida para a ocupação de muitas outras reitorias. Contudo, esses movimentos de ocupação esbarraram nas respectivas direções políticas (majoritariamente, PSOL e PSTU), que fizeram de tudo ou para abortar o movimento ou para restringi-lo às reivindicações específicas e limitadas. Não apresentaram um plano de unificação das lutas envolvendo o conjunto dos estudantes e a própria sociedade, que apontasse a ira estudantil contra a reforma universitária e a política educacional do governo Lula ou dos governos estaduais.
Fica claro que essa tarefa de unificação deveria ser cumprida por uma entidade nacional dos estudantes. No entanto, não se poderia esperar que a UNE cumprisse esse papel, porque ninguém ignora o seu peleguismo já tradicional. No caso, esta buscou fazer com que os estudantes desocupassem as reitorias. Por isso, o PSOL, ao esperar pela UNE, demonstrou também o seu papel traidor. A única organização nacional que poderia desempenhar essa função de unificação das lutas seria a Conlute; infelizmente, esta não ocupou o espaço deixado pelo UNE. Ao contrário, também se omitiu, esperando pela “esquerda” da UNE. Em alguns casos, como na UFRGS, alinhou-se com o PSOL para a desocupação.
Após o fim das principais ocupações de reitorias de
Vitória parcial na UnB
As ocupações, em geral, e a ocupação da UnB, em particular, mostram o caminho aos trabalhadores e aos estudantes, no sentido de que os seus métodos de luta precisam avançar. A ocupação de local de estudo ou de trabalho está colocada na ordem do dia. No caso, a luta dos estudantes da UnB conseguiu uma vitória parcial com a demissão do reitor, a realização de eleições para esse cargo e a não-punição dos estudantes e do DCE. Essa vitória parcial deveu-se ao método correto de luta, apesar de ter repetido os mesmos erros das ocupações anteriores, ou seja, a não unificação da luta e a limitação das palavras de ordem à questão específica. Era preciso transpor os limites específicos, vinculando essa reivindicação com a luta contra o sucateamento do ensino, por mais vagas e verbas para a universidade, contra a política educacional do governo Lula e contra o próprio governo em si mesmo. Era preciso demonstrar que essa política oficial responde aos interesses do capital internacional e é ditada pelos seus organismos. No fundo, a luta contra a corrupção, em geral, e na universidade, em especial, e a luta por uma universidade pública, gratuita e de qualidade, se confunde com a luta pelo fim do capitalismo.