13 de fev. de 2008

Depois do aumento, um balanço é necessário

Com o anúncio de aumento das passagens de ônibus, seria de se esperar que a Conlutas e a Conlute (uma vez que CUT, UNE e UBES fogem intencionalmente das lutas dos trabalhadores e estudantes) se manifestassem contra este aumento, agrupando massas para lutar contra este ataque dos governos subservientes às concessionárias.

Porém, graças à política conciliadora das direções dessas duas organizações, que privilegia a pressão parlamentar e não chama a população explorada a se integrar à luta direta, o que se viu foram manifestações completamente simbólicas, os chamados atos de vanguarda. Isto de parte da Conlutas, pois o papel da Conlute foi ainda mais insignificante: não chamou nenhum ato, não divulgou nem ao menos uma carta mostrando sua oposição ao aumento das tarifas do transporte público.

Em Porto Alegre, por exemplo, a Conlutas chamou as organizações de luta à participação em um ato um dia antes de este acontecer – para o dia em que seria “decidido”, num encontro entre representantes das concessionárias e da EPTC (órgão responsável pelo setor de transportes) se a passagem sofreria aumento ou não. Com isto, a Conlutas basicamente confirma que, sob sua direção centrista, não é capaz de servir aos trabalhadores, mas sim de apenas construir grandes encenações, coisa que seria cômica se não fosse trágica. Estavam presentes cerca de 30 pessoas, um número ínfimo para que se lutasse conseqüentemente contra esta manobra dos empresários e governantes. Dois dias depois, houve outro ato, nos mesmos moldes do anterior – uma vanguarda formada apenas de ativistas e militantes de partidos políticos.

Este exemplo confirma a completa hipocrisia das direções burocratas da Conlutas e Conlute, que fazem um discurso radicalizado para suas bases, mas que, na hora da ação efetiva, se revelam inconsistentes e incompetentes. O PSTU e o PSOL, dois partidos que se dizem “de luta”, não conseguem fazer um chamado aos trabalhadores e estudantes para que se unam à Conlutas e Conlute, preferindo apostar apenas no chamado às correntes “mais à esquerda” que ainda compõe a CUT, a UNE e a UBES, isso sem falar na fusão sem princípios da Conlutas com a Intersindical. Estes dois partidos têm uma política centrista, de conciliação de classes, sendo portanto incapazes de defender conseqüentemente as lutas da classe trabalhadora, que na realidade ultrapassam em muito os eixos econômicos.

Além disso, é necessário ressaltar a postura do PT com relação a esse assunto. O PT participa dessas lutas não em todos os momentos, como seria de se esperar de um partido que tem a honra de agrupar a maior parte dos trabalhadores à sua volta, mas sim apenas quando não está no governo. Em Porto Alegre, cidade que governou de 1988 a 2004, o PT tinha a mesma postura que hoje tem o governo Fogaça, amigo dos empresários. Ou seja, entra no ringue apenas para desmoralizar o governo atual, sonhando em voltar ao poder municipal (nesse caso, com a atual deputada Manuela d’Ávila, do PCdoB, que já anunciou sua candidatura para este ano). O Partido dos Trabalhadores tem uma postura completamente mentirosa, bem de acordo com sua política burguesa.

A ASPOCAPA (Assembléia Popular Contra o Aumento da Passagem), que agrupa representantes de diversos partidos políticos – entre eles PT e PSOL –, é outra organização puramente teatral, não lutando realmente contra o aumento. Seu método é o da unidade a todo custo: reúne diversos grupos (“todos os que querem lutar”) para discutir e deliberar um programa em comum. A luta contra o aumento é um fim em si mesma; debate-se apenas o critério econômico presente neste ataque.

A Conlute precisa urgentemente de um plano de lutas, onde as principais reivindicações dos estudantes recebam o espaço, o apoio e a construção que são necessárias para que triunfem sobre os ataques. Não se deve “discutir” – embora na Conlute esta palavra tenha caído em desuso – as lutas apenas quando estas se colocarem na ordem do dia, ou seja, quando já estiverem acontecendo os ataques. Esta postura não constrói o movimento estudantil, apenas cria seguidistas à política da direção. A Conlute precisa de um método democrático de construção, onde as organizações estudantis e políticas sintam-se à vontade para debater e onde sejam as reais diretoras dos rumos do movimento estudantil.

A Luta Revolucionária dos Trabalhadores é intransigente no combate por uma construção coletiva, onde todos tenham oportunidade de expor sua opinião. Não queremos criar seguidistas, mas sim indivíduos que pensem por si mesmos e que realmente contribuam politicamente com a construção de um movimento estudantil de massas. Só com democracia interna é possível fazer a Conlute crescer, mas a democracia interna não tem espaço onde há uma política de conciliação. A Conlute tem necessidade premente de uma direção que valorize as lutas, que as coloque como prioridade, e que seja conseqüente nelas. As reivindicações dos estudantes vão muito além daquilo que o capitalismo pode conceder, e apenas um partido marxista revolucionário pode impulsionar estas lutas até a vitória, ou seja, até a tomada do poder pela classe trabalhadora. Só aí veremos uma real vitória dos trabalhadores e estudantes.