No dia 2 de julho, por volta de 600 estudantes reuniram-se no Encontro Nacional de Estudantes, chamado por diversas organizações estudantis, destacadamente, DCEs de universidades públicas.
O PSTU, direção da Conlute (Coordenação Nacional de Lutas dos Estudantes), contou com ampla maioria neste encontro. Pode-se dizer, até mesmo, que se tratava muito mais de um encontro da Juventude do PSTU do que de um encontro de estudantes propriamente dito. Sendo assim, não é de se admirar que as propostas deste partido foram aprovadas, mesmo que isto signifique, na prática, uma derrota para o movimento estudantil.
O PSTU, direção da Conlute (Coordenação Nacional de Lutas dos Estudantes), contou com ampla maioria neste encontro. Pode-se dizer, até mesmo, que se tratava muito mais de um encontro da Juventude do PSTU do que de um encontro de estudantes propriamente dito. Sendo assim, não é de se admirar que as propostas deste partido foram aprovadas, mesmo que isto signifique, na prática, uma derrota para o movimento estudantil.
O encontro se iniciou com saudações aos estudantes presentes, em sua maioria universitários que protagonizaram ocupações neste ano e no ano que passou. Isto foi amplamente divulgado e louvado, muito embora grande parte destas ocupações tenha tido suas reivindicações ignoradas pelas reitorias das universidades. É como se louvassem a luta por si só, sem atentar para as necessidades dos estudantes.
As ocupações, tão louvadas, não representaram, verdadeiramente, um ascenso no movimento estudantil, ou antes, representaram, mas esta chama se apagou por conta das direções dos estudantes. A maior parte do movimento estudantil atualmente não possui, como característica, a construção pela base; isto freia as mobilizações e as lutas. O estudante não se dispõe a participar, cotidianamente, de um movimento em que sua voz não é ouvida, ou abafada, ou desconsiderada.
Deve-se observar, também, que estas ocupações não foram utilizadas para denunciar a UNE. Isto foi um erro crasso da direção da Conlute. Os momentos de mobilização são os melhores para se fazer uma denúncia das entidades traidoras do movimento, pois o estudante poderá ver, com seus próprios olhos, como se comportam estas. Dever-se-ia ter utilizado o momento propício para avançar na ruptura dos estudantes com a UNE, divulgando o apoio dela à reforma universitária, bem como sua ausência das mobilizações. O encontro, infelizmente, não tocou nisto, o que não é, entretanto, de se admirar.
Um dos assuntos discutidos nos grupos foi a necessidade da unidade, discurso já adotado pelo PSTU há algum tempo. Na prática, esta unidade representa a espera paciente pelos setores do PSOL que ainda compõe a UNE (União Nacional dos Estudantes), e que constituem a FOE. A proposta apresentada pelo PSTU foi de organizar um congresso, para discutir com os “outros setores” a fundação de uma nova entidade para o movimento estudantil. Isto é bastante contraditório, pois o mesmo PSTU afirma que “o ano de 2007 também pisou na areia jogada sobre o caixão da União Nacional dos Estudantes. O caráter estrutural de sua degeneração, e de sua total de perda de autonomia e independência em relação aos governos, se mostra através de vários exemplos”. Pelo visto os exemplos não foram suficientes. Apesar dessa contradição evidente, a proposta foi aceita por quase unanimidade.
O plano de lutas aprovado, para o segundo semestre de 2008, tem como eixo central a luta contra o REUNI. Uma das muitas críticas que fazemos à direção da Conlute é que esta não se preocupa em organizar e praticar uma campanha aberta contra o governo Lula, amigo dos empresários da educação e, portanto, inimigo dos trabalhadores. Dá-se o argumento de que “a luta contra o REUNI já é uma luta contra o governo Lula”, o que não passa de uma mentira. É necessária uma campanha aberta contra Lula pelos motivos já mencionados: seu governo serve aos empresários da educação e à burguesia em geral, e não aos estudantes. Lutar apenas contra suas reformas entra na lógica do governo em disputa, como se apenas estas reformas de Lula fossem prejudiciais aos trabalhadores e estudantes. Não há governo, dentro do capitalismo, que possa servir aos interesses dos trabalhadores e estudantes. Isto, a princípio, é consenso entre nós, o PSTU e grande parte da “esquerda”. Porém, quando é necessário sair das salas e praticar um programa aberto contra o regime democrático-burguês, a coisa muda de figura. A calourada unificada aprovada para agosto, apesar de mencionar o governo Lula, não terá o caráter de uma luta contra este; apenas suas reformas serão questionadas, para não perturbar a tão querida unidade entre a Conlute e a FOE (na prática, entre a Conlute e a UNE, uma vez que a FOE ainda compõe a entidade governista).
Foi debatida também a questão da repressão, sentida na pele por muitos dos estudantes presentes. Se aprovou uma campanha nacional contra a repressão, mas nada se falou da necessidade da organização da autodefesa. Em nossa opinião, os piquetes de autodefesa devem estar sempre presentes nas manifestações em que a polícia estiver presente. É tarefa das direções estudantis abrir a discussão sobre sua necessidade com a base, mostrar-lhe que a polícia é um dos instrumentos de repressão da classe dominante sobre os estudantes e trabalhadores, e afirmar a necessidade da organização destes piquetes. Contudo, mais uma vez, a direção da Conlute cumpriu um papel vergonhoso, com uma campanha que não dirá nada disso e deixará os estudantes cegos para a necessidade da autodefesa. É perigoso falar do assunto, pois o PSOL, com sua base pequeno-burguesa, pode se assustar e, com isso, romper a unidade. Enquanto isso, os estudantes continuarão levando cacetadas da polícia, ou até pior.
O congresso aprovado, que deverá debater a fundação de uma nova entidade, na verdade é um sonho distante. A Conlute representou um passo adiante neste sentido, mas atualmente tem sua construção comprometida pela política que lhe é imposta pela sua direção. Lembremos do encontro de estudantes que tomou como objetivo a construção da Conlute como nova direção: a proposta era agrupar aqueles que querem lutar contra Lula numa nova entidade, que fosse capaz de levar adiante as reivindicações dos estudantes, algo que a UNE já não poderia fazer, devido ao seu atrelamento ao governo Lula. Ou seja, já vem sendo feito o debate há tempos. O que compromete a construção da Conlute é a espera à FOE. A fundação oficial da Conlute não significa, como o PSTU quer fazer os estudantes acreditarem, interromper o diálogo com os estudantes que ainda possuem ilusões a respeito da UNE. Significa, na realidade, o oposto disto, ou seja, a disputa direta com a UNE por estes. O enfrentamento com a UNE é imprescindível para dissolver as ilusões dos estudantes. A inexistência da denúncia da UNE nas ocupações foi, como já dissemos, um erro crasso. Ou seja, a Conlute perdeu uma oportunidade de ouro para disputar as bases da UNE, ao não se apresentar como uma alternativa a esta. Isto continuará enquanto não se abandonar a espera pela FOE. Os estudantes precisam, cada dia mais, de uma direção que possa levar adiante suas lutas, pois os ataques continuarão acontecendo, a níveis cada vez maiores. O abandono da campanha de ruptura com a UNE representa, na prática, o abandono destes estudantes nas mãos do governismo.
A Conlute não se tornará uma alternativa à UNE a não ser que rompa com suas direções traidoras. É preciso construir uma nova direção, uma direção revolucionária, que diga aos estudantes aquilo que estes precisam ouvir, e não apenas o que eles já sabem ou o que querem ouvir. Esta construção, contudo, é impossível sem a construção de um partido revolucionário, que guie a classe trabalhadora rumo à tomada do poder, instaurando um governo dos trabalhadores.