30 de abr. de 2008

Ocupação da UnB derruba o reitor

No início do ano vieram à tona denúncias de corrupção envolvendo o reitor da UnB, Timothy Mulholland. Segundo os jornais, o reitor teria recebido dinheiro de uma fundação ligada à universidade, que em seis anos lucrou mais de R$ 23 milhões de reais em “serviços prestados”. No total, seriam R$ 70 mil gastos na decoração de seu gabinete, inclusive com direito a lixeira de quase R$ 1.000 e saca rolhas de R$ 859. O escândalo chamou a atenção pela distância que existe entre as mordomias de que usufrui a cúpula do ensino público e a realidade de cada sala de aula (a precariedade de materiais, professores e funcionários). A despeito das tentativas de abafamento do caso, o fato desencadeou a ira da sociedade e dos estudantes. Estes, então, ocuparam a reitoria, seguindo o exemplo das ocupações de universidades realizadas em 2007.

As limitações das ocupações de reitorias em 2007

A ocupação da USP – que foi desencadeada pelos ataques de José Serra à autonomia universitária – inflamou os ânimos do movimento estudantil a nível nacional e serviu de ponto de partida para a ocupação de muitas outras reitorias. Contudo, esses movimentos de ocupação esbarraram nas respectivas direções políticas (majoritariamente, PSOL e PSTU), que fizeram de tudo ou para abortar o movimento ou para restringi-lo às reivindicações específicas e limitadas. Não apresentaram um plano de unificação das lutas envolvendo o conjunto dos estudantes e a própria sociedade, que apontasse a ira estudantil contra a reforma universitária e a política educacional do governo Lula ou dos governos estaduais.

Fica claro que essa tarefa de unificação deveria ser cumprida por uma entidade nacional dos estudantes. No entanto, não se poderia esperar que a UNE cumprisse esse papel, porque ninguém ignora o seu peleguismo já tradicional. No caso, esta buscou fazer com que os estudantes desocupassem as reitorias. Por isso, o PSOL, ao esperar pela UNE, demonstrou também o seu papel traidor. A única organização nacional que poderia desempenhar essa função de unificação das lutas seria a Conlute; infelizmente, esta não ocupou o espaço deixado pelo UNE. Ao contrário, também se omitiu, esperando pela “esquerda” da UNE. Em alguns casos, como na UFRGS, alinhou-se com o PSOL para a desocupação.

Após o fim das principais ocupações de reitorias de 2007, a direção da Conlute – principalmente o PSTU – impulsionou novas, mas simbólicas, artificiais e sem expressão, reunindo apenas uma pequena vanguarda. Após desperdiçar as melhores oportunidades, a Conlute encenou um teatro com essas novas ocupações. Dessa forma, a Conlute deixou passar mais uma excelente oportunidade para se afirmar como vanguarda dos estudantes, papel para o qual foi criada.

Vitória parcial na UnB

As ocupações, em geral, e a ocupação da UnB, em particular, mostram o caminho aos trabalhadores e aos estudantes, no sentido de que os seus métodos de luta precisam avançar. A ocupação de local de estudo ou de trabalho está colocada na ordem do dia. No caso, a luta dos estudantes da UnB conseguiu uma vitória parcial com a demissão do reitor, a realização de eleições para esse cargo e a não-punição dos estudantes e do DCE. Essa vitória parcial deveu-se ao método correto de luta, apesar de ter repetido os mesmos erros das ocupações anteriores, ou seja, a não unificação da luta e a limitação das palavras de ordem à questão específica. Era preciso transpor os limites específicos, vinculando essa reivindicação com a luta contra o sucateamento do ensino, por mais vagas e verbas para a universidade, contra a política educacional do governo Lula e contra o próprio governo em si mesmo. Era preciso demonstrar que essa política oficial responde aos interesses do capital internacional e é ditada pelos seus organismos. No fundo, a luta contra a corrupção, em geral, e na universidade, em especial, e a luta por uma universidade pública, gratuita e de qualidade, se confunde com a luta pelo fim do capitalismo.

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