26 de mar. de 2008

Para onde vai a Conlute?

Este texto é composto por extratos da tese feita pela Luta Revolucionária dos Trabalhadores para a reunião da coordenação geral da Conlutas, realizada nos dias 1, 2 e 3 de março deste ano, tese que pode ser lida na íntegra aqui. Com o objetivo de expormos, de maneira mais clara, nossas posições quanto à Conlute, trazemos, além dos extratos já mencionados, comentários que visam elucidar o raciocínio que nos levou a tomar estas posições.

A Conlute na inércia

“A Coordenação Nacional de Luta dos Estudantes representou, da mesma forma que a Conlutas, um avanço no sentido de um movimento estudantil independente do governismo. A UNE/UBES não passavam de cadáveres políticos presentes no movimento estudantil, que tinham como função a defesa intransigente do governo Lula.(...)Porém, de uns tempos pra cá, a Conlute também está ameaçada em razão da inércia representada pela política de esperar a ‘esquerda da UNE’.”

Assim como acontece com a Conlutas, a busca sem princípios por unidade destrói a construção da Conlute. Não somos contra a unidade, mas esta da Conlute, com os setores “de esquerda” da UNE, não serve em nada aos estudantes. Basicamente, os estudantes que constroem a Conlute ficam a reboque da “vanguarda” que ainda insiste em compor a UNE; isto não é, de maneira alguma, um progresso na construção da Conlute. Longe disso, freia o desenvolvimento desta organização que nasceu justamente para impulsionar as lutas estudantis, que inexistiam através da UNE e UBES – entidades estas que viraram basicamente balcões de carteiras escolares. Basta observarmos a realidade para vermos que a Conlute não agregou novos estudantes à sua composição e não se firmou como uma entidade que tenha forças para lutar contra o governismo da UNE. Parece que o lema da direção majoritária da Conlute é “se não pode vencê-los, junte-se a eles”. O que se vê, como dito acima, é uma “inércia representada pela política de esperar a esquerda da UNE”. Ora, convenhamos: quando se pretende construir um movimento estudantil de luta, independente, não se espera pelos retardatários, por maior número que estes possam representar. Muito pelo contrário: procura-se a unidade com os membros avançados do movimento, que sintam a necessidade de renovação, que tenham disposição para combater seus inimigos, e que de forma alguma se unam a estes. Unidade? Sim; mas com que programa?

“Segundo a direção majoritária da Conlute, não há possibilidade de construção de uma nova entidade estudantil sem a unidade com os setores do PSOL, que estão numa situação mais atrasada do que a Intersindical porque se encontram dentro da UNE.”

Ou seja, comparando-se Conlutas e Conlute, a situação desta última é ainda mais terrível; equivaleria à Conlutas esperar pelas correntes internas da CUT, como se dissessem “não temos forças para lutar sozinhos”. Não poderia estar mais errada essa conclusão! Com todos os ataques à educação pública – ataques estes que têm como objetivo a privatização do ensino, justificando a política de Estado mínimo, onde se diminuem os gastos sociais, como educação, saúde, etc. e se privilegia o capital privado –, tanto nos níveis fundamental e médio quanto a nível universitário, os estudantes estão dispostos a lutar, porém esbarram na indisponibilidade da UNE e das direções estudantis para construir estas lutas, e na política derrotista da Conlute, que não acredita em si mesma como alternativa para a luta contra estes ataques. Se a própria Conlute não acredita em si mesma, como os estudantes acreditarão?

A UNE e UBES são praticamente desconhecidas da maioria dos estudantes – sua fama está no passado. Hoje em dia, não passam de um emblema no verso das carteiras escolares. Com os diversos ataques que são lançados atualmente contra a educação, se coloca uma oportunidade imensa para a construção da Conlute. Mas é necessário que se tenha uma política correta; qual seria esta política?

Meter a cara a tapa, sem hesitar, e colocar-se à frente das lutas estudantis, sem esconder críticas a quem quer que seja – chamando as coisas pelo nome. Denunciar o papel traidor da UNE, e de todos aqueles que ainda a compõem. Incentivar os estudantes a participarem ativamente da construção da Conlute, em encontros, congressos, reuniões periódicas, etc., que aconteçam não apenas no momento das lutas, mas antes e depois destas também. Além disso, é de extrema importância que se construa, coletivamente, um calendário de lutas, que reflita as principais reivindicações dos estudantes. Também se deve planejar palestras, discussões, panfletagens, etc.; tudo deve ser feito de forma a imprimir à Conlute uma marca, que simbolize o movimento estudantil lutador, corajoso e ousado.

Mas o que acontece hoje? “Os congressos, encontros e atividades, além de inexistentes atualmente, não se preocupam em organizar um plano de lutas, de agitação e propaganda”. Isto acontece porque, como já dissemos, a política atual da Conlute é ser rebocada pelos setores “de esquerda” da UNE.

É necessário salientar, ainda, que não há uma tentativa de aproximar as lutas estudantis com as dos trabalhadores. Não se procura colocar que esses ataques não são isolados: todos fazem parte de um plano maior, burguês, que representa uma miséria ainda maior para a população explorada. Sendo assim, as lutas não devem ocorrer apenas em marcos isolados. As reivindicações dos estudantes se fundem às reivindicações dos demais oprimidos: trabalhadores, desempregados, mulheres, negros, índios, gays, lésbicas, etc. Que luta deve ser levada adiante, neste contexto? A luta pelo fim da dominação burguesa. “Da mesma forma que a Conlutas, a Conlute não pode permanecer nos marcos das reivindicações estudantis, mas deve engajar-se na luta pelo socialismo”.

“A direção majoritária da Conlute vai pelo mesmo caminho da Conlutas, abandonando a luta pela independência política contra o atrelamento ao governismo. Em nome da ‘unidade’ no abstrato, a Conlute abandonou a batalha pela ruptura de entidades com a UNE. Defende a ruptura somente em tese, na prática omite as críticas e a diferenciação para não desagradar a FOE e preservar a ‘unidade’. A autêntica unidade que a Conlute deve defender é aquela que beneficia a luta direta junto com os trabalhadores. A história nos forneceu inúmeros exemplos de unidade do movimento estudantil com o movimento operário, que culminaram em grandes mobilizações contra os governos capitalistas. Ao invés de esperar por esses setores, a Conlute deveria impulsionar novamente a política de ruptura com a UNE, apostar na luta direta dos estudantes, (universitários e secundaristas), estagiários, dos jovens desempregados e dos trabalhadores, que tenha como fim a revolução socialista – única forma de garantir uma educação pública, gratuita e de qualidade.”

Contra os ataques do governo Lula e governos estaduais e municipais à educação pública!

Pela denúncia do papel traidor da UNE e UBES! Ruptura já!

Pela reorganização do movimento estudantil: abertura de novos grêmios, DAs, CAs, DCEs, construção de oposições, fortalecimento das mesmas, contra a burocracia do movimento estudantil!

Pela construção da Conlute pela base: por um calendário de lutas, reuniões periódicas, palestras o ano todo nas escolas e universidades e agitação sistemática e permanente!

Todo apoio à luta dos trabalhadores em educação! Pela união das lutas dos estudantes e professores!

Por um movimento estudantil que lute contra o capitalismo e pelo socialismo!


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