25 de jan. de 2008

Qual a relação do aumento das passagens de ônibus com o capitalismo em decomposição?

Sai ano ,entra ano, e todos se iniciam com a proposta dos empresários do transporte público de aumento de tarifas. A escolha do período do ano não é casual, pois é justamente em janeiro que a maioria das escolas brasileiras está em férias, bem como alguns trabalhadores e o restante da juventude, o que dificulta a articulação e a organização da luta. Muitos prefeitos e empresários aprenderam as lições duras de algumas capitais do país quando experimentaram impor um aumento da passagem no meio ou no fim do ano.

A exigência do aumento se repete anualmente porque o capitalismo exige a constante elevação da taxa de lucro dos empresários e também porque vive em constante crise a nível nacional e mundial. Como na democracia burguesa funciona o lema “uma mão lava a outra”, os empresários financiam as campanhas dos partidos institucionais e estes, depois de eleitos, retribuem em dobro – seja aumentando as tarifas de ônibus, luz, juros (no caso dos bancos) ou dando “generosas” isenções fiscais as multinacionais. Independente de qual for o partido eleito, este sempre concederá inúmeras vantagens aos empresários e passará a conta para o ombro dos trabalhadores e do povo pobre.

Nos últimos anos, os trabalhadores e a juventude das capitais brasileiras não deixaram de dar distintas provas de abnegação na luta contra os aumentos de passagem. Desde Salvador, com a famosa "revolta do buzu", que paralisou a cidade; passando por Florianópolis, Recife, São Paulo e Rio, com enfrentamento à repressão e intimidação policial; até Porto Alegre, onde o movimento foi mais fraco do que todas as outras capitais, embora sempre tenha havido algum tipo de mobilização com repercussão na população.

Porém, apesar do calendário, o problema maior reside nas direções políticas e nas organizações que deveriam impulsionar as lutas. A UNE (União Nacional dos Estudantes), que no passado protagonizou inúmeras lutas em defesa da educação pública e da juventude, hoje não passa de um balcão do governo no movimento estudantil. Realiza congressos fraudados de dois em dois anos, apóia o governo em todas as suas medidas “anti-estudantis” e vive de conchavos nos gabinetes podres dos deputados da burguesia. A CUT, da mesma forma, foi há anos para o mesmo caminho, e hoje é uma agência do governo Lula no movimento sindical, o que explica a sua ligação quase umbilical com o Ministério do Trabalho.

A Coordenação Nacional de Lutas (Conlutas) – que surgiu com a finalidade de remar contra esta maré histórica –, em função da política conciliadora de sua direção majoritária (PSTU), adota as bandeiras governistas da CUT e defende o seu calendário de lutas. E a Coordenação Nacional de Lutas dos Estudantes (Conlute), que impulsionou muitas lutas contra os aumentos de passagem, dessa vez ficou inerte. Isso se passa em função de ter adotado a política de “esperar sentado” a “esquerda” da UNE (personificada centralmente no PSOL).

Por essas e outras é que fica muito mais difícil de articular as lutas tanto a nível estadual, quanto a nível nacional. Em razão do caráter político de UNE e CUT, se torna um crime esperar alguma coisa desses dois cadáveres. Qualquer organização política que as defenda merece o desprezo dos trabalhadores e da juventude. Contudo, com a política de inércia da Conlute e a de conciliação com o governismo da Conlutas, a situação da juventude combativa se dificulta completamente. É necessário organizar o setor combativo e consciente dessas duas coordenações para lutar contra tudo isso.

Além disso, deve ser tarefa de ambas (bem como de toda a vanguarda socialista) a luta implacável contra qualquer aumento imposto pela burguesia. A única solução contra os aumentos anuais é a expropriação das empresas de transporte, e que sejam colocadas sob controle dos trabalhadores. O passe livre para estudantes e desempregados, o fim dos aumentos de tarifa e o controle dos trabalhadores fazem parte do programa socialista, do qual nunca poderão ser dissociados.

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