Já está bastante claro para os trabalhadores e pra juventude pobre das escolas e das periferias que as eleições burguesas a cada 2 anos não mudam absolutamente nada em suas vidas. Todo o ano eleitoral é a mesma coisa, o velho blábláblá e no fim, depois que eles são eleitos, tudo segue como antes e piorando. O fato é que essas instituições do Estado, as quais os candidatos disputam, são controladas pela classe dominante (os banqueiros, latifundiários, empresários e a burguesia no geral). São eles que têm os interesses garantidos pelos parlamentares, afinal de contas, os partidos institucionais são financiados por eles. A democracia é só para os ricos, que podem comprar posições dentro do Congresso e comandar todas as decisões que só beneficiam seus interesses de classe. Isso é evidente nos escândalos de corrupção em Brasília que não param de pipocar dia após dia.
No que diz respeito a economia, a burguesia e os seus principais jornais, se apoiando nas declarações dos economistas burgueses, afirmam que é preciso escolher entre crescimento econômico e a redistribuição da renda. Esta é a lei básica que rege o capitalismo, e é traduzido em um discurso ultimatista e sensacionalista amplamente utilizado pela burguesia para “assustar” as classes oprimidas.
Frente a toda essa realidade decadente que o capitalismo nos proporciona, as instituições “democráticas” da burguesia, juntamente com as eleições burguesas, perderam credibilidade perante a classe trabalhadora e a juventude. Porém, a burguesia quer reverter essa situação com uma propaganda desesperada – difundida todos os dias pela sua poderosa mídia – para a moralização dessas instituições. Nas últimas eleições de 2006, um fenômeno no mínimo curioso fez alguns artistas se candidatarem para cargos do Estado (sobretudo os de deputados) e, de uma forma ou de outra, se aproveitarem da descrença popular no parlamento burguês.
De norte a sul surgiram artistas que se tornaram candidatos por diversos partidos burgueses. Por São Paulo se elegeram dois nomes famosíssimos da televisão brasileira: o apresentador Clodovil Hernandes (PTC) e o cantor de forró Frank Aguiar (PTB). Clodovil prometeu fazer “uma limpa” em Brasília – uma clara alusão à podridão de corrupção que é comum de todos os parlamentos burgueses. Se meteu num bate boca com uma parlamentar do PT e de denúncia das “podridões do Congresso” não vimos nada. Frank Aguiar se elegeu com o discurso de agradecer fazendo política aos fãs que o transformaram em um artista com projeção nacional. Como se eleger-se pelo PTB (que, além de ser um partido burguês, condena o direito de greve e de manifestação dos trabalhadores) para o Congresso do mensalão fosse um grande auxílio para a população pobre e carente do Piauí – seu estado natal.
A Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul também elegeu os seus artistas de TV. Como deputados estaduais se elegeram o cantor Mano Changes (PP), da banda Comunidade Ninjitsu e o “homem do tempo”, Paulo Borges (do Democratas; ex-repórter da RBS, atual apresentador do tempo da Rede Pampa). Mano Changes se elegeu com o discurso de defesa da juventude, mas hoje em dia é impossível “defender” a juventude sem lutar junto aos trabalhadores por uma sociedade socialista, postura essa impossível para um partido burguês como o PP, pelo qual o cantor se elegeu. O PP está envolvido nos piores escândalos de corrupção do Rio Grande do Sul – como o escândalo das usinas de energia – e também a nível nacional. O partido Democratas, de Paulo Borges, dispensa apresentações. O Democratas – ex-PFL – é o maior protagonista de escândalos de corrupção no Brasil e legenda de grandes caciques da política brasileira, como ACM. É herdeiro direto das facções liberais da Arena (partido conservador do período da ditadura militar), assim como o PDS, que depois virou o PP, de Mano Changes. Durante a votação do “pacotaço” do governo Yeda e de todo o debate que foi travado sobre a crise financeira do Rio Grande do Sul, os dois “titãs” da política passaram maus bocados.
Correndo por fora do campo artístico, se elegeu, pelo PCdoB/RS, a não menos teatral Manuela D’avila e o seu famoso discurso despolitizado do “E aí, beleza?”. O PCdoB investe pesado nos movimentos musicais e artísticos da periferia, como o movimento Hip Hop. Mas isso para controlá-lo e não passar conteúdo político algum. O jargão, “e aí, beleza?”, representa a essência desse partido que ostenta o nome de comunista, mas já é completamente adaptado a institucionalidade e a ordem burguesa. A entidade que “patrocinou” a vida política de Manuela foi a UNE – aquela dos livros de História, que hoje não passa de uma entidade burocratizada e inimiga do estudante.
A juventude precisa de um partido de verdade, revolucionário e socialista. Não existe outra forma de acabar com a miséria, a fome, a corrupção escancarada, o desemprego, a tortura dos estágios e a destruição da educação sem lutar pela Revolução Socialista. Somente um partido revolucionário, dirigido pelos trabalhadores, pode apontar nessa direção. É hora de toda a juventude se unir aos trabalhadores e lutar com todas as forças contra a burguesia, seus partidos e seu Estado.
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