30 de jan. de 2008

Chamado contra o aumento da passagem

Este é o chamado feito pela Juventude da Luta Revolucionária dos Trabalhadores a diversas organizações para o planejamento e realização de atos contra o aumento da passagem.


Aos militantes do PSTU, PSOL, MR, Conlute e Conlutas

Nas últimas semanas, as empresas concessionárias de transporte público apresentaram às prefeituras de diversas localidades do Brasil pedidos de aumento nas tarifas de ônibus, lotação, etc. Estes aumentos representam um maior peso no bolso dos trabalhadores e estudantes com relação ao transporte, gasto esse já exorbitante.

Devido a esse ataque ter sido completamente ignorado pela UNE, cabe a nós, que defendemos um movimento estudantil e sindical de luta, tomar a frente na defesa dos direitos dos estudantes e trabalhadores em geral.

Foi exatamente com esse propósito que surgiram a Conlutas e a Conlute; porém, devido a problemas na sua direção, não o estão cumprindo. Defendemos a aplicação de um planejamento de lutas que questionem as contradições econômicas, para que assim possamos avançar na luta de classes.

Fazemos, portanto, um chamado a vocês, para que construamos manifestações que visem denunciar e derrotar mais esse ataque à classe trabalhadora. Não propomos um comitê para lutar contra o aumento da passagem, mas sim a organização de atos, passeatas e piquetes, onde cada grupo ou partido possa defender o seu programa para essa questão da maneira que achar mais correta, mantendo assim sua independência política.

Esperamos que considerem justamente esse nosso chamado, e que consigamos, em conjunto, lutar contra este covarde ataque aos trabalhadores.

Porto Alegre, 30 de janeiro de 2008

Juventude da Luta Revolucionária dos Trabalhadores

25 de jan. de 2008

Qual a relação do aumento das passagens de ônibus com o capitalismo em decomposição?

Sai ano ,entra ano, e todos se iniciam com a proposta dos empresários do transporte público de aumento de tarifas. A escolha do período do ano não é casual, pois é justamente em janeiro que a maioria das escolas brasileiras está em férias, bem como alguns trabalhadores e o restante da juventude, o que dificulta a articulação e a organização da luta. Muitos prefeitos e empresários aprenderam as lições duras de algumas capitais do país quando experimentaram impor um aumento da passagem no meio ou no fim do ano.

A exigência do aumento se repete anualmente porque o capitalismo exige a constante elevação da taxa de lucro dos empresários e também porque vive em constante crise a nível nacional e mundial. Como na democracia burguesa funciona o lema “uma mão lava a outra”, os empresários financiam as campanhas dos partidos institucionais e estes, depois de eleitos, retribuem em dobro – seja aumentando as tarifas de ônibus, luz, juros (no caso dos bancos) ou dando “generosas” isenções fiscais as multinacionais. Independente de qual for o partido eleito, este sempre concederá inúmeras vantagens aos empresários e passará a conta para o ombro dos trabalhadores e do povo pobre.

Nos últimos anos, os trabalhadores e a juventude das capitais brasileiras não deixaram de dar distintas provas de abnegação na luta contra os aumentos de passagem. Desde Salvador, com a famosa "revolta do buzu", que paralisou a cidade; passando por Florianópolis, Recife, São Paulo e Rio, com enfrentamento à repressão e intimidação policial; até Porto Alegre, onde o movimento foi mais fraco do que todas as outras capitais, embora sempre tenha havido algum tipo de mobilização com repercussão na população.

Porém, apesar do calendário, o problema maior reside nas direções políticas e nas organizações que deveriam impulsionar as lutas. A UNE (União Nacional dos Estudantes), que no passado protagonizou inúmeras lutas em defesa da educação pública e da juventude, hoje não passa de um balcão do governo no movimento estudantil. Realiza congressos fraudados de dois em dois anos, apóia o governo em todas as suas medidas “anti-estudantis” e vive de conchavos nos gabinetes podres dos deputados da burguesia. A CUT, da mesma forma, foi há anos para o mesmo caminho, e hoje é uma agência do governo Lula no movimento sindical, o que explica a sua ligação quase umbilical com o Ministério do Trabalho.

A Coordenação Nacional de Lutas (Conlutas) – que surgiu com a finalidade de remar contra esta maré histórica –, em função da política conciliadora de sua direção majoritária (PSTU), adota as bandeiras governistas da CUT e defende o seu calendário de lutas. E a Coordenação Nacional de Lutas dos Estudantes (Conlute), que impulsionou muitas lutas contra os aumentos de passagem, dessa vez ficou inerte. Isso se passa em função de ter adotado a política de “esperar sentado” a “esquerda” da UNE (personificada centralmente no PSOL).

Por essas e outras é que fica muito mais difícil de articular as lutas tanto a nível estadual, quanto a nível nacional. Em razão do caráter político de UNE e CUT, se torna um crime esperar alguma coisa desses dois cadáveres. Qualquer organização política que as defenda merece o desprezo dos trabalhadores e da juventude. Contudo, com a política de inércia da Conlute e a de conciliação com o governismo da Conlutas, a situação da juventude combativa se dificulta completamente. É necessário organizar o setor combativo e consciente dessas duas coordenações para lutar contra tudo isso.

Além disso, deve ser tarefa de ambas (bem como de toda a vanguarda socialista) a luta implacável contra qualquer aumento imposto pela burguesia. A única solução contra os aumentos anuais é a expropriação das empresas de transporte, e que sejam colocadas sob controle dos trabalhadores. O passe livre para estudantes e desempregados, o fim dos aumentos de tarifa e o controle dos trabalhadores fazem parte do programa socialista, do qual nunca poderão ser dissociados.

9 de jan. de 2008

Os artistas e o parlamento burguês

Já está bastante claro para os trabalhadores e pra juventude pobre das escolas e das periferias que as eleições burguesas a cada 2 anos não mudam absolutamente nada em suas vidas. Todo o ano eleitoral é a mesma coisa, o velho blábláblá e no fim, depois que eles são eleitos, tudo segue como antes e piorando. O fato é que essas instituições do Estado, as quais os candidatos disputam, são controladas pela classe dominante (os banqueiros, latifundiários, empresários e a burguesia no geral). São eles que têm os interesses garantidos pelos parlamentares, afinal de contas, os partidos institucionais são financiados por eles. A democracia é só para os ricos, que podem comprar posições dentro do Congresso e comandar todas as decisões que só beneficiam seus interesses de classe. Isso é evidente nos escândalos de corrupção em Brasília que não param de pipocar dia após dia.

No que diz respeito a economia, a burguesia e os seus principais jornais, se apoiando nas declarações dos economistas burgueses, afirmam que é preciso escolher entre crescimento econômico e a redistribuição da renda. Esta é a lei básica que rege o capitalismo, e é traduzido em um discurso ultimatista e sensacionalista amplamente utilizado pela burguesia para “assustar” as classes oprimidas.

Frente a toda essa realidade decadente que o capitalismo nos proporciona, as instituições “democráticas” da burguesia, juntamente com as eleições burguesas, perderam credibilidade perante a classe trabalhadora e a juventude. Porém, a burguesia quer reverter essa situação com uma propaganda desesperada – difundida todos os dias pela sua poderosa mídia – para a moralização dessas instituições. Nas últimas eleições de 2006, um fenômeno no mínimo curioso fez alguns artistas se candidatarem para cargos do Estado (sobretudo os de deputados) e, de uma forma ou de outra, se aproveitarem da descrença popular no parlamento burguês.

De norte a sul surgiram artistas que se tornaram candidatos por diversos partidos burgueses. Por São Paulo se elegeram dois nomes famosíssimos da televisão brasileira: o apresentador Clodovil Hernandes (PTC) e o cantor de forró Frank Aguiar (PTB). Clodovil prometeu fazer “uma limpa” em Brasília – uma clara alusão à podridão de corrupção que é comum de todos os parlamentos burgueses. Se meteu num bate boca com uma parlamentar do PT e de denúncia das “podridões do Congresso” não vimos nada. Frank Aguiar se elegeu com o discurso de agradecer fazendo política aos fãs que o transformaram em um artista com projeção nacional. Como se eleger-se pelo PTB (que, além de ser um partido burguês, condena o direito de greve e de manifestação dos trabalhadores) para o Congresso do mensalão fosse um grande auxílio para a população pobre e carente do Piauí – seu estado natal.

A Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul também elegeu os seus artistas de TV. Como deputados estaduais se elegeram o cantor Mano Changes (PP), da banda Comunidade Ninjitsu e o “homem do tempo”, Paulo Borges (do Democratas; ex-repórter da RBS, atual apresentador do tempo da Rede Pampa). Mano Changes se elegeu com o discurso de defesa da juventude, mas hoje em dia é impossível “defender” a juventude sem lutar junto aos trabalhadores por uma sociedade socialista, postura essa impossível para um partido burguês como o PP, pelo qual o cantor se elegeu. O PP está envolvido nos piores escândalos de corrupção do Rio Grande do Sul – como o escândalo das usinas de energia – e também a nível nacional. O partido Democratas, de Paulo Borges, dispensa apresentações. O Democratas – ex-PFL – é o maior protagonista de escândalos de corrupção no Brasil e legenda de grandes caciques da política brasileira, como ACM. É herdeiro direto das facções liberais da Arena (partido conservador do período da ditadura militar), assim como o PDS, que depois virou o PP, de Mano Changes. Durante a votação do “pacotaço” do governo Yeda e de todo o debate que foi travado sobre a crise financeira do Rio Grande do Sul, os dois “titãs” da política passaram maus bocados.

Correndo por fora do campo artístico, se elegeu, pelo PCdoB/RS, a não menos teatral Manuela D’avila e o seu famoso discurso despolitizado do “E aí, beleza?”. O PCdoB investe pesado nos movimentos musicais e artísticos da periferia, como o movimento Hip Hop. Mas isso para controlá-lo e não passar conteúdo político algum. O jargão, “e aí, beleza?”, representa a essência desse partido que ostenta o nome de comunista, mas já é completamente adaptado a institucionalidade e a ordem burguesa. A entidade que “patrocinou” a vida política de Manuela foi a UNE – aquela dos livros de História, que hoje não passa de uma entidade burocratizada e inimiga do estudante.

A juventude precisa de um partido de verdade, revolucionário e socialista. Não existe outra forma de acabar com a miséria, a fome, a corrupção escancarada, o desemprego, a tortura dos estágios e a destruição da educação sem lutar pela Revolução Socialista. Somente um partido revolucionário, dirigido pelos trabalhadores, pode apontar nessa direção. É hora de toda a juventude se unir aos trabalhadores e lutar com todas as forças contra a burguesia, seus partidos e seu Estado.