10 de dez. de 2007

As entidades estudantis burocratizadas e os escândalos de corrupção

Algumas pessoas acham que o processo de burocratização e de afastamento da direção de suas bases são fenômenos restritos as entidades sindicais de trabalhadores. Nada mais falso! O fenômeno de burocratização se repete em função do atrelamento dessas entidades aos governos e ao Estado burguês. Não existe melhor ilustração para isso do que a UNE/UBES, que além de governistas até debaixo dágua, são completamente atreladas ao institucionalismo do Estado burguês. O resultado todos nós conhecemos: o afastamento da entidade da base que representa e as decisões tomadas por um punhado de burocratas que vivem disso.

Tomemos como exemplo o já conhecido DCE da PUCRS. Não é a toa que nacionalmente este DCE é reconhecido em função de abrigar uma máfia ligada ao PDT que já se reelege há, nada mais e nada menos, do que 18 anos. Em termos de atuação prática é quase irmão gêmeo do sindicalismo da Força Sindical: não existe democracia alguma, as eleições são fraudades regularmente, não existe assembléia ou órgão deliberativo democrático e as intimidações físicas a oposição são comuns. Essas entidades conciliam com a reitoria, com os patrões, com os governos e com o Estado burguês. Não são nada mais do que joguetes políticos nas mãos de suas direções. Esse retrocesso é possivelmente evitável, desde que a base mobilizada coloque na lata do lixo esses burocratas estudantis sanguessugas e abra a entidade para a participação de todos os estudantes representados por ela.

O DCE da PUCRS, de tão aparalheado que está pelo PDT, já elegeu muitos vereadores e burocratas para estatais e serviços públicos. A mais recente falcatrua foi a eleição de Mauro Zacher (PDT) para vereador de Porto Alegre e, posteriormente, a sua indicação para secretário da juventude do governo de José Fogaça (PMDB). O escândalo das fraudes dos concursos do DETRAN-RS não tardou em chegar ao secretário da juventude, que todo mundo sabe que de "santo não tem nada". Dessa vez foi o programa para a juventude do governo Federal, batizado de ProJovem. Segundo a imprensa burguesa, Mauro Zacher e sua corja estariam superfaturando em cima das merendas escolares que teriam um valor bem maior do que o número de alunos. Além disso, o valor da verba federal para a capital gaúcha é de cerca de R$11,2 milhões, dos quais somente 10 milhões eram repassados.

O capitalismo se mantem também graças ao inestimável auxílio desses sanguessugas que parasitam as entidades estudantis para usar como trampolim para os cargos do Estado burguês. Como está claro, as eleições burguesas de dois em dois anos só servem para eleger os ricos e corruptos. É hora da juventude se mobilizar conjuntamente com a classe trabalhadora para varrer esses burocratas estudantis e sindicais para onde nunca deveriam ter saído: a lata do lixo.

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