Passaram-se mais de 15 anos desde a reabertura do processo democrático no Brasil e a juventude encontra-se perplexa com sua realidade: desemprego, miséria, exploração, corrupção e um conjunto de valores completamente ultrapassados.
A antiga geração foi aquela das Diretas Já, das greves do ABC paulista, da formação do Partido dos Trabalhadores. "Lula lá brilha uma estrela" na verdade fez brilhar a burocracia. E os interesses dos militantes que sempre quiseram reformar o Estado, na prática, são os mesmos da burguesia. A esperança na democracia resultou na grande frustação dos lutadores da velha guarda. Enquanto Pink Floyd tocava na queda do muro de Berlin, o stalinismo e o dito "socialismo real" demonstravam ser, na realidade, a antitese do bolchevismo, pois aplicou a negação do projeto marxista. Quase todas as organizações foram totalmente para o lado da traição, passando a defender a democracia e sua representatividade, ou, pior, a possibilidade de disputá-la, como se o capitalismo pudesse ser progressivo na época em que se encontra, a imperialista. As necessidades históricas dos trabalhadores foram deixadas de lado.
As massas e a antiga vanguarda elegeram o governo "operário" de Lula/PT e viram que a vida está cada vez pior desde que isto aconteceu. A verdade é nua e crua: as eleições jamais representarão os interesses da classe trabalhadora. A CUT se tornou o ministério do trabalho e os patrões nunca lucraram tanto. É normal que muitos dos nossos velhos ativistas deixem de acreditar na possibilidade da Revolução.
Propositalmente, a classe dominante faz de conta que a vida é como em "Malhação" ou "Rebelde". Vivemos no século do supérfluo ao extremo, desde a qualidade dos nossos produtos - que não duram nada -, até a valorização de um símbolo que torna qualquer coisa extremamente cara por ser de "marca".
A juventude cumprirá um papel extremamente importante na renovação das reivindicações de mudança, pois ela está livre dos vícios e derrotas dos trabalhadores. A juventude tem mais é que expressar a construção do novo, transformar a sua realidade. O espírito de rebeldia e revolta, muitas vezes de indignação com a vida, deve ser transformado em iniciativa de luta e em recusa à tentativa de "reformar" o antigo Estado capitalista. Queremos que tudo mude profundamente, mas, como dizem os Titãs, "tem que ser inteiro e não pela metade". Os velhos conceitos da nojenta moral dos ricos, sua ganância e suas leis devem ir pro lixo. Nada disso serve a juventude atual.
Precisamos de muito mais. Por isso devemos nos revolucionar e, principalmente, revolucionar o mundo que nos cerca. Já diria uma revolucionária alemã: "Quem não se movimenta não sente as correntes que o aprisionam."
Os negros, os gays, as lésbicas, os jovens mulheres e homens cada vez mais assumem suas verdadeiras personalidades e batem de frente com as opressões. Entretanto, devem ir mais além, questionando o motivo da existência dos preconceitos: a exploração, os piores salários e a "guetização", que joga quem é "diferente" pra escanteio.
O entendimento do mundo divido em classes, onde patrões exploram os trabalhadores, deve nos colocar do lado dos nossos interesses classistas. Se somos filhos de explorados, nunca devemos trair nossa classe de origem e desejar tornarmos chefes ou patrões, pois sabemos da dificuldade de viver numa sociedade injusta e mesquinha. Esta não é a saída para os problemas do mundo; muito pelo contrário, devemos acabar com as classes para resolvermos a confusão dos velhos burgueses.
A necessidade de renovação da vanguarda revolucionária já tem um espaço importante para os jovens lutadores. Os estudantes de hoje serão os trabalhadores de amanhã, serão eles que levarão a luta pelo socialismo adiante...
A construção da Luta Revolucionária dos Trabalhadores se coloca ao lado desta juventude, pois representa o surgimento do novo, a negação à Frente Popular do PT e à "Frente de Esquerda" do PSOL/PSTU. Existe para organizar uma luta que vá além dos interesses da podre sociedade democrática. Não tem medo de ser contra o patrão e luta para ter uma educação de qualidade. Se inspira nas lutas do mundo, organiza os ativistas em todas as reivindicações, questiona os valores e os poderes dos ricos, fala em revolução e socialismo com orgulho.
É para a juventude que a LRT apresenta este programa!
Vamos à luta pela Revolução!
9 de out. de 2007
Um programa à juventude
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