28 de out. de 2007

A tática do Che

A admiração ao Che vem da sua honestidade na luta revolucionária, por sua luta internacionalista e pelo seu ideal do novo homem, que viria com a nova sociedade. No entanto, não estamos de acordo com a tática foquista, guerrilheirista, do revolucionário. A História tem nos provado que a tática da guerrilha leva geralmente ao fracasso. A exceção, como é o caso cubano, é a vitória. Isso se deve a que esta é sempre resultado de uma radicalizaçao da pequena-burguesia, ou seja, da classe média. Os guerrilheiros são em geral jovens intelectuais que se radicalizam (ou seja, enchem o saco) e querem mudar as coisas já. São vanguarda (ou seja, têm uma "consciência mais avançada" que a maioria da população), e daí vem seu anseio de mudanças imediatas. Ora, dita radicalização acaba afastando essa vanguarda da grande maioria da população, dos explorados, dos trabalhadores, da única classe social que pode fazer a Revolução Socialista. Estes, por sua vez, não conseguem acompanhar a consciência daqueles, e muitas vezes acabam por posicionar-se contra a guerrilha, que nao entendem.

Resultado: 1) sem o apoio e ação do conjunto da população explorada qualquer revolução é destinada ao fracasso; 2) toda uma vanguarda é esmagada pela contra-revolução (a polícia, as Forças Armadas, as tropas imperialistas, etc.); 3) em casos excepcionais, quando triunfa uma revolução através da guerrilha, chega ao poder uma vanguarda isolada, e não o conjunto da população explorada, que, por sua vez, não está devidamente organizado para levar a administração de um Estado Operário. Por isso em Cuba não há democracia operária. Quem manda é um bando de generais que está no poder desde a época da Revolução.

Nós, trotskistas, acreditamos que uma Revolução Socialista só pode ser realmente triunfante com todos os trabalhadores estabelecidos em organismos de luta, sob a direção de um partido revolucionário. Quando estes organismos ganhem a força necessária para se equipararem com o Estado burguês, será possível derrubá-lo e substituí-lo por um Estado Operário, controlado democraticamente pelos trabalhadores através dos seus organismos de luta. Nos primeiros anos da Revolução Russa (antes do golpe de Stalin), era assim. Estes organismos eram chamados sovietes, que significa "conselho". Por isto defendemos a formação de conselhos operários ou conselhos dos trabalhadores.

Claro, qualquer revolucionário tem anseios de que o capitalismo acabe de uma vez. Mas temos de ter paciência. Esta é uma virtude revolucionária. Temos de estar nas ruas, junto com os trabalhadores, "educando-os", explicando-lhes que devem lutar pelo poder, pelo socialismo.

Che não tinha essa paciência, usando métodos pouco efetivos. Mas, de todos os modos, foi um revolucionário de muito valor. Poderia muito bem ter se acomodado em Cuba, como ministro que era, mas acreditava na Revolução Socialista mundial e lutou por isso até sua morte. Rompeu com Fidel Castro (que, buscando o apoio da União Soviética, repetia a cínica afirmação dos stalinistas: "a América Latina não está madura para o socialismo") e tentou a guerrilha na Bolívia. Fracassou...

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